terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Os Melhores de 2010


Há 11 anos o MixBrasil elege as 24 pessoas _gays, lésbicas, trans ou simpatizantes_ que mais se destacaram no ano. Em 2010 temos um gay assumido eleito deputado federal no Brasil, artistas mundialmente conhecidos ligados a causa gay, além de novelistas e programas de TV que ganharam audiência com participantes LGBT. Confira a seguir:

Cristina Kirchner
A presidente argentina Cristina Kirchner promulgou, em julho, a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A Argentina tornou-se oficialmente o primeiro país da América Latina a autorizar o casamento gay nacionalmente. “Não promulgamos uma lei, mas sim uma construção social, transversal, diversa, plural, ampla, que não pertence a ninguém, apenas à sociedade.”

Ricky Martin
Sex symbol latino, o cantor Ricky Martin assumiu, em março, sua homossexualidade. Referência imediata no universo gay, Ricky lançou a autobiografia, “Eu”, onde conta os meandros de sua auto-aceitação e o caso amoroso com um radialista. “Hoje aceito minha homossexualidade como um presente que a vida me dá. Me sinto abençoado de ser quem sou!”, escreveu. Ricky também investiu em campanhas contra o bullying.

Claudia Wonder
Ícone LGBT desde os anos 80, diva Wonder disse adeus em novembro, vítima de uma infecção causada por um fungo encontrado nas fezes de pombo. Deixou aos 55 anos uma legião admiradores. Foi consagrada ainda em vida com o doc “Meu amigo Claudia”, de Dácio Pinheiro. Finalizou sua trajetória ainda fazendo história: foi a 1ª trans a ter um velório na Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo.

Carlos Tufvesson
O estilista e ativista gay foi o nome escolhido para assumir a Coordenadoria Especial de Assuntos da Diversidade Sexual (Ceads) do Rio de Janeiro, que começa as atividades em 2011. Agora, “o cidadão LGBT do Rio não vai mais achar que não existe poder público para ele”, declarou. Ele também foi um dos indicados ao “Prêmio Faz Diferença”, promovido pelo jornal O Globo. Também é criador do evento “A moda na luta com o HIV”.

Jean Wyllys
Depois de seis anos, desde sua vitória no Big Brother Brasil, o jornalista Jean Wyllys voltou à mídia por ter sido eleito deputado federal no Rio de Janeiro, pelo PSOL. Após a eleição, Jean garantiu trabalhar principalmente em prol da comunidade LGBT e do “povo de santo”. Em dezembro, uma possível recontagem de votos quase tirou a cadeira do professor, que foi diplomado em dezembro. Foi o primeiro deputado federal gay assumido eleito por uma plataforma LGBT.

Coloridos BBB
Angélica Morango, Serginho Osgastic e Dicésar (Dimmy Kieer) coloriram o Big Brother 10. Embora as trajetórias dos três não foi de extrema união, a presença gay esteve comentada durante todo o reality show, com direito a selinhos, paquera lésbica e drag montadíssima.

François Sagat
O ator pornô francês (que agora se arrisca em filmes cult) foi sensação no Brasil em novembro, quando veio todo gostoso ao 18º Festival do Mix Brasil. Ele acompanhou a exibição dos filmes que contam com seu corpão e atuação, como “L.A.Zombie” (Bruce LaBruce) e “Homem no Banho” (Christophe Honoré). Sua passagem deixou um ensaio ousadíssimo para a revista JUNIOR de dezembro-janeiro.

Wanessa
Filha de cantor sertanejo, Wanessa abandonou o sobrenome, as músicas melosas e investiu nas pistas gays de todo o Brasil. Ela também se engajou na causa LGBT, e disse que vai defender o casamento gay em contato direto com a presidente Dilma.

Marina Silva
Enquanto muitos gays torceram o nariz ao verem a evangélica Marina Silva candidata à presidência, a candidata do Partido Verde surpreendeu. Foi a única que não apelou para o discurso descaradamente religioso – como Dilma e Serra fizerem – e deu um exemplo de tolerância LGBT. Na revista JUNIOR, foi a única entre os presidenciáveis a topar e conceder uma sincera entrevista somente sobre questões LGBT. Ela foi enfática ao dizer que, embora tenha uma opinião particular sobre casamento gay, asseguraria todos os direitos civis de homossexuais e casais gays.

Jake Shears
Assumidíssimo desde o ensino médio, o vocalista do Scissor Sisters esteve no Brasil em novembro, e foi entrevistado pela revista JUNIOR. Jake está na campanha contra o bullying homofóbico “It Gets Better”, para mostrar que a vida melhora bastante depois que crescemos. “Fui perseguido por ser gay. Era bem difícil. E, você sabe, as crianças podem ser muito cruéis”, diz ele no vídeo.

Sandy
Em carreira solo e casadíssima com o músico Lucas Lima, a cantora Sandy declarou, em novembro, ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. “Todo mundo tem direito de amar, de se envolver emocionalmente, socialmente. É um direito e não importa o sexo”, disse ao jornal O DIA. Popular entre as bees, a presença de homossexuais em seus shows é frequente.

Lady Gaga
Em meio aos vestidos espalhafatosos (como a polêmica peça de carne), Lady Gaga é grande defensora dos direitos LGBT. A cantora fez um vídeo de apoio a uma estudante lésbica barrada pela escola, e agradeceu em seu Twitter a derrubada da lei que era contra militares gays nos Estados Unidos. No MTV 2011, recebeu o troféu das mãos de ninguém menos que Cher.

James Franco
Totalmente friendly (embora isso custe comentários de que seja gay) o ator já coleciona personagens gays em sua história carreira, como nos filmes “Milk”, “Howl” e “Pineapple Express”. Em entrevista à “The Advocate”, em setembro, James declarou que gosta de interpretar gays, porque as histórias de amor hétero são chatas. Em 2010, ele foi capa da revista “Candy”, direcionada ao público trans, e vestiu-se de mulher para a ocasião.

Ideraldo Beltrame
Novo presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT), Ideraldo foi eleito em votação realizada no início de outubro. Em entrevista ao Mix Brasil ele disse querer investir no potencial comercial do maior evento LGBT do mundo.

Maria Adelaide Amaral
Se não bastasse o lado gay que já existia nas novelas “Ti Ti Ti” e “Plumas e Paetês” originais, Maria Adelaide Amaral deixou a novela ainda mais colorida no remake que exibiu neste ano. Ela transformou um casal hétero no casal gay mais fofo da história da televisão, protagonizado por Julinho (André Arteche) e Osmar (Gustavo Leão). E, ao contrário da versão original, que morriam os dois num acidente de carro, a autora ainda salvou um, Julinho, que abriu o leque da temática com a mãe do ex.

Raí
Em tempos de homofobia, o eterno jogador do São Paulo provou ser friendly quando topou participar da campa “Sim, eu aceito”, a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Nany People
Depois de ter o nome citado em cada reality show que envolvia famosos, a drag-trans Nany People finalmente disse sim à terceira edição de “A Fazenda”. Siliconada e desbocada, ela revelou um lado materno, dedicada e brigona. Lavou ovelhas, chorou no parto dos animais e adotou candidatas como Mulher Melancia. Foi a quinta eliminada e saiu do programa ainda mais popular. “Agora quero mostrar que sou uma atriz de personagem A, B, C, D. Não só a Ninete de Tieta.”

Lea T
Modelo transexual brasileira, Lea T ganhou as páginas de todo mundo ao estrelar a campanha da Givenchy e estampar editoriais de fotos para várias revistas. Filha do ex-jogador Toninho Cerezo, Lea enfrentou vários boatos de que não se dava bem com o pai, o que ela fez questão de desmentir. “Nos amamos”, disse. Vai desfilar na próxima SPFW, em janeiro, e sua agenda conta com cerca de 400 pedidos de entrevistas.

Anette Bennig/ Julianne Moore
As atrizes arrasaram como um casal lésbico no filme “Eu, minhas mães e meu pai”. No longa, elas investem pesado na criação dos dois filhos adolescentes, que buscam conhecer a identidade do pai biológico. Julianne é velha aliada da causa LGBT e até participou de uma campanha contra o bullying. Ela foi capa da edição de número 100 da revista gay “Out”.

Katylene
Quem esperaria que um blogueiro que se passa por uma travesti fosse ganhar um programa só seu? Pois Daniel Carvalho criou a ácida Katylene Beezmarky e atravessou as páginas de seu humorado blog sobre celebridades (e pseudo-celebridades) para um programa de fofocas na MTV.

Malu de Martino
Diretora do filme brasileiro “Como Esquecer”, Malu de Martino trouxe de maneira delicada a superação da perda e do pós-relacionamento. No longa, Ana Paula Arósio e Murilo Rosa interpretam lésbica e gay. “Pareceu ser um desafio transportar para a tela grande a dor da perda a partir de um universo pouco explorado pelo cinema brasileiro, o LGBT.”

André Arteche/ Gustavo Leão
Na pele de Julinho e Osmar, os atores André Arteche e Gustavo Leão caíram nas graças do público ao formarem o casal gay mais fofo da história da televisão brasileira. Nos primeiros capítulos, eles trocaram eternas juras de amor (protagonizaram quaaase um beijo) e, embora tenham se separado (Osmar morreu em um acidente de carro), fixaram o romance nos demais episódios. Em entrevistas, eles disseram que topariam um beijo gay, na boa.

Evandro Soldati
O modelo brasileiro esteve onde muita gente queria estar: no clipe com Lady Gaga, Alejandro. Ele também protagonizou várias campanhas em todo mundo, além de estar todo à vontade na primeira edição da revista Made in Brazil.

Kristen Stewart
A mocinha da saga Crepúsculo, Kristen Stewart, agradou o público lésbico pela interpretação no filme “The Runaways – As garotas do Rock”, inspirado na banda de rock formada somente por mulheres nos anos 70. No longa, Kristen deu um comentado beijo na atriz Dakota Fanning e teve um fã-clube montado somente por fãs lésbicas.

matéria UOL / MIX 28.12.10

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Editora espanhola publica cartas de escritor gay perseguido pelo regime de Fidel Castro

Madri, 7 dez - A publicação em castelhano de "Cartas a Margarita e Jorge Camacho", de Reinaldo Arenas, presta uma homenagem ao escritor cubano que se suicidou em 7 de dezembro de 1990 em um apartamento em Nova York, vítima da aids.

Enviadas entre 1967 e 1990, as cartas --que já haviam sido lançadas na França-- só agora foram publicadas em espanhol pela editora Point de Lunettes.

Dissidente, Arenas é considerado um incômodo para muitos e voz desgarrada de Cuba. O livro contém o testemunho sobre o sofrimento que este grande escritor precisou viver, perseguido pelo regime de Fidel Castro --a quem apoiou nos primeiros momentos da Revolução--, por sua dissidência política e condição de homossexual.

Esta correspondência de Reinaldo Arenas (Holguín, Cuba, 1943) com seus amigos é um complemento de seu famoso romance autobiográfico "Antes Que Anoiteça", que foi levado depois ao cinema por Julian Schnabel, com Javier Bardem no papel do escritor cubano.

Nestas cartas é possível ver a profunda relação com os Camacho, um casal de pintores que conheceu em Havana, em 1967.

Uma amizade que se transformou no cordão umbilical do escritor com o mundo. Era para eles que seus manuscritos eram enviados, para que pudessem ser publicados e salvos do controle policial cubano.

Reinaldo Arenas, narrador, poeta, ensaísta e dramaturgo, esteve entre 1974 e 1976 na prisão, onde sofreu humilhações e maus-tratos.

Mas antes, em 1973, já havia sido preso acusado de abuso sexual contra jovens. Tentou fugir. Foi acusado de contra-revolucionário e se transformou em fugitivo. Escondido pela ilha, comendo e vivendo nos parques, foi capturado e levado outra vez à prisão.

Em 1980 ganhou liberdade e passou, primeiro, por Miami. Depois se instalou em Nova York, onde ficou até seu suicídio.

De Miami, o livro recolhe esta carta: "Querida Margarita, não sei se poderás entender minha letra, mas aqui não tenho máquina de escrever. Estou muito preocupado pelo destino dos meus manuscritos. Já sabes que para mim o único sentido da vida é ter certeza de que nada se extraviou... Temo que a Polícia cubana, que está em todos os lugares do mundo (onde vocês menos imaginam), possa fazer desaparecer minha obra. Margarita, esses papéis são meus filhos, minha própria vida...".

Uma carta que reflete a vontade do escritor de salvar sua obra, pela qual lutou e sofreu, como demonstra a emocionante e última carta do livro, escrita dias antes de sua morte, e na qual o escritor cubano se despede de seus amigos.

"Devido ao estado precário da minha saúde e a terrível depressão sentimental que sinto por não poder seguir escrevendo e lutando pela liberdade de Cuba, ponho fim a minha vida. Nos últimos anos, apesar de me sentir muito doente, pude terminar minha obra literária na qual trabalhei por quase 30 anos. Deixo como legado todos os meus terrores, mas também a esperança de que Cuba será livre... Eu já sou", escreve o autor.

No total, o volume reúne 144 cartas, que abrangem quase meia vida de Reinaldo Arenas, nas quais o autor fala de política, de suas viagens, de literatura, e de muitos escritores aos quais critica por apoiarem o regime de Fidel Castro, além de sua saúde, do vírus da aids.

Além disso, a editora Tusquets voltou a publicar seu romance autobiográfico, o mítico "Antes Que Anoiteça" (por Carmen Sigüenza).

matéria UOL - Cena 10.12.10

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

LANÇAMENTO: Brasil Homocultural

SÃO PAULO – Após dois anos da realização do IV Congresso da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (Abeh), realizado na USP, será lançada a coletânea dos textos do congresso no livro Retratos do Brasil Homossexual: fronteiras, subjetividades e desejos.

O lançamento será neste sábado, 04, a partir das 16h, na Casa das Rosas, na Av. Paulista, nº 37 (Próximo à Estação Brigadeiro do Metrô). O livro conta com 96 textos que versam sobre a homocultura brasileira em diversas áreas, como literatura, direitos humanos, noção de corpo, moda, transgênero, entre outros, de pesquisadores acadêmicos de todo Brasil.

Todos eles foram selecionados e organizados por Emerson Inácio, Berenice Bento, William Siqueira, Wilton Garcia e Horácio Costa, que presidia a Abeh na época. Retratos do Brasil Homossexual foi publicado pela ação conjunta entre Edusp, Imprensa Oficial e Abeh.
*matéria do Mundo Mais de 02.dez.10