quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Teatro em Agosto: "Entre Nós "

Dois atores em cena fazem o papel de dois atores que tentam inventar na hora uma história de amor entre dois jovens gays. Até decidir o destino dos personagens, eles enfrentam uma série de situações conflitantes e engraçadas.
A peça, que estreou em janeiro de 2012, chega a São Paulo depois de apresentações em vários teatros na Bahia e uma pequena coleção de prêmios. Além do Prêmio Braskem de melhor espetáculo adulto, levou os prêmios de Melhor Ator, para Igor Epifânio, e de Melhor Texto para João Sanches, que assina ainda a direção, a iluminação e o figurino. Anderson Dy Souza completa o elenco.
O teatro que recebe o espetáculo em São Paulo é o Itália, no centro da cidade (Av. Ipiranga, 344 - Edifício Itália – subsolo do Metrô República. Tel. (11) 2122-2474). Serão dois fins de semana: de 15/8 a 18/8 (quinta a domingo) e de 23/8 a 25/08 (sexta a domingo). As apresentações são às 20h de quinta a sábado e às 18h no domingo.
O espetáculo faz parte do Circuito Baiano de Teatro, ação para movimentar a cena teatral baiana. Com patrocínio da Braskem, gigante da produção de resinas termoplásticas, e do Governo do Estado da Bahia através do Fazcultura, "Entre Nós" participa da comemoração de 20 anos do Prêmio Braskem de Teatro, que premia a cada ano as melhores produções do teatro baiano em oito categorias: Espetáculo Adulto, Espetáculo Infanto-Juvenil, Direção, Ator, Atriz, Texto, Revelação e Categoria Especial. A última edição aconteceu em abril passado.
Além do troféu, os vencedores da 20ª edição do Prêmio Braskem de Teatro nas categorias Espetáculo Adulto e Espetáculo Infanto-Juvenil (O Segredo da Arca de Trancoso) receberam um prêmio no valor bruto de R$ 30 mil, enquanto os demais receberam um prêmio no valor bruto de R$ 5 mil cada.
Ficha Técnica
"Entre Nós – Uma Comédia Sobre Diversidade"
Texto, direção e figurino: João Sanches
Direção Musical: Leonardo Bittencourt
Elenco: Igor Epifânio e Anderson Dy Souza
Trilha sonora ao vivo: Leonardo Bittencourt
Assistência de direção: Danilo Souto Pinho e Ricardo Fagundes
Cenário: Daniela Steele
Produção: Patrícia Rammos (Da Preta Produções)
Assistente de Produção: Andrea Machado
Patrocínio: Braskem e Governo da Bahia através do Fazcultura
Realização: ArtCultural Promoções

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Carrasco fala sobre Félix

O autor Walcyr Carrasco revelou em um texto na sua página do Facebook, que o vilão Félix seria uma mulher na sinopse original de "Amor À Vida".
"Quando criei o Félix, de Amor à vida, foi uma surpresa para mim mesmo. Minha ideia inicial era fazer uma vilã tradicional. Já havia falado com a atriz Flávia Alessandra, uma malvada excepcional em Alma Gêmea. Mas ela estava na novela da Glória Perez. Convidei Claudia Raia, que chegou a aceitar. Mas, depois, ela também foi para a novela da Glória. Fiquei pensando: que atriz seria essa vilã, capaz de jogar um bebê numa caçamba? Então, me deu um clique. Por que não um gay cruel? Eu mesmo me assustei com a ideia", explica Carrasco.
"Quando se escreve uma novela, que atinge milhões de pessoas, a pressão é inacreditável. Grupos exigem que se apresente um mundo perfeito. Se há um personagem negro, tem de ser bonzinho - ou sou acusado de racismo. Se é gay, também tem de ser do bem. Não admito o "politicamente correto". Pessoas são pessoas. Arrisquei. Criei o vilão gay, que vive num armário. Mas num armário ruído por cupins. Ele desmunheca, fala maldades, é invejoso. Houve quem dissesse que jamais seria aceito pelo público. Que os movimentos gays me apedrejariam. Apostei", continua o autor.
Em seguida, Carrasco disse que sofreu muito preconceito dos próprios gays quando se assumiu bissexual recentemente.
"Recentemente, declarei que sou bissexual. Fui apedrejado por homossexuais, segundo os quais deveria ter me declarado gay. Respondi: tive relacionamentos com várias mulheres na minha vida, a quem amei. Seria um desrespeito a elas dizer que tudo foi uma mentira. Simplesmente, porque não foi".
O autor discorre sobre o preconceito que existe dentro do próprio mundo gay. "Já conheci muitas 'bichas más', como Félix. Fazem piadas. É um contínuo bullying com quem está perto e é mais frágil. Mexem com quem engordou, está malvestido, tem muito dourado na casa ou é pobre e 'brega'. O meio gay é o mais homofóbico que existe. As mais 'pobrinhas' são chamadas de 'bichas pão com ovo'. As que praticam muita musculação, 'barbies'. O ataque entre si é muitas vezes mais cruel que o da sociedade".
O desabafo de Carrasco surge num momento crucial da trama, onde a sexualidade de Félix é descoberta por toda a família e tornou-se o epicentro da novela.
"Félix não é uma bandeira a favor ou contra os gays. Por fugir do estereótipo do bonzinho, talvez fale de liberdade mais que qualquer personagem planejado para dar uma boa imagem. Alguém que não é aceito, que se sente diferente desde criança, nem sempre se torna uma vítima. Mas pode se transformar em algoz. Cada ser humano tem o direito de escolher sua vida, desde que não prejudique o próximo. Não há uma regra para definir quem é melhor ou pior, como exigem tantos grupos religiosos. Embora eu sempre insista: a mensagem cristã máxima é de aceitação. Todo Félix tem uma saída: ser amado. Félix é meu filho. Como todo pai, torço por ele. Até os próximos capítulos!".

Matéria M+ agosto 2013