sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Albert Nobbs no cinema

Comentário M+ fev 12

Irlanda, século XIX. Albert Nobbs (Glenn Close) trabalha como mordomo e esconde um segredo: é, na verdade, uma mulher. Durante 30 anos ela vestiu roupas masculinas e se fez passar por um homem, para poder se manter e concretizar o sonho de ser a dona de uma tabacaria. Depois de 30 anos usando roupas masculinas, ela se encontra presa em sua própria armadilha.

Glenn Close já havia interpretado Nobbs no teatro em 1982 e, por 15 anos, lutou para levar a história para o cinema. Seu envolvimento foi tão grande que ela produziu o filme e assinou o roteiro com John Banville.

Com 3 indicações ao Oscar, a pré estreia acontece neste fim de semana.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Teatro - Criminosos sedutores


matéria M+ fev/12

Texto inédito no Brasil, a peça "Festim Diabólico" é baseada em fatos reais, e mistura cinema e teatro para contar a história de dois jovens brilhantes, que transformam teorias acadêmicas em uma realidade arrepiante. Sob o pretexto de oferecer uma festa de aniversário, a tentativa de cometer o “crime perfeito” é levada às últimas consequências. O espetáculo estreia este fim de semana em São Paulo, no Teatro Nair Bello.

A peça (Rope – título original) foi escrita em 1929 pelo inglês Patrick Hamilton (1904 – 1962), é considerada seu primeiro sucesso, catapultado obviamente pela filmagem do filme de Alfred Hitchcock, que foi indicado ao Oscar de melhor filme em 1948. A montagem pega carona nessa referência e no titulo similar para a primeira montagem brasileira a cargo de Carlos Porto de Andrade Jr.

O projeto é do ator Alexandre Barros, que demorou quatro anos para realizar seu desejo de encená-lo. Barros, ao lado do ator André Fusko, protagoniza o casal gay que tenta cometer o “crime perfeito”.



O embate entre o professor Rupert e o casal de jovens assassinos é o que de melhor a encenação apresenta. Embora pouco explorada, as relações de atração entre os personagens, vem à tona como se o desejo sexual sempre fosse a mola propulsora de tudo. Não é, sabemos, mas gostamos de pensar que sim. Há o embate filosófico no texto, dos questionamentos dos alunos, mas o que sobra mesmo é a pulsão em mentir, usar e ter prazer.

Há ironia e deboche no embate entre as personagens, o que é bom, pois atiça a curiosidade do espectador para os outros temas que Hamilton quer trazer em cena. A homossexualidade dos jovens – sublinhadas no filme – é reverenciada na encenação, em boa parte pela deliciosa composição de André Fusko.

Serviço:

“Festim Diábolico” - até 18/03

Teatro Nair Bello: Rua Frei Caneca, 569

Sexta a domingo

R$10 a R$ 40

Uma ótima opção de viagem :-)



Matéria M+ fev/12



O turismo homossexual vive no Uruguai um momento de forte crescimento, impulsionado por empresas que implementam variadas estratégias para seduzir um setor atraente por seu alto poder aquisitivo. Artigos em publicações internacionais especializadas no turismo gay, hotéis, pousadas ou discotecas "gay friendly" mostram um nicho de mercado que nos últimos anos chamou a atenção de empresários e das autoridades turísticas, que trabalham pelo crescimento do setor no Uruguai.

Quem chega ao país se surpreende com "a quantidade de atividades que existem em Montevidéu" para o público homossexual, disse à AFP Juan Pedro López, empresário encarregado do setor "gay friendly" do Conglomerado de Turismo de Montevidéu, integrado por empresas públicas e privadas.

"Há três boliches abertos, há sauna, cinemas, pubs, lojas de roupas e estamos apostando na hotelaria", informou. "A agitação é cada vez maior e o ministério percebeu que havia um interesse cada vez mais intenso no setor gay".

Sinal desse interesse foi a inauguração, no fim de 2011, no exclusivo balneário Punta del Este, de um hotel onde os homossexuais são bem vindos, em uma praia nudista que já tinha duas pousadas com ofertas para este público.

Além do desenvolvimento do setor, há uma aposta do governo nacional e da intendência de Montevidéu, que há três anos começaram a analisar a possibilidade de implementar políticas específicas para atrair esse setor turístico.

"Há três anos, quando se falava em um campeonato de futebol gay em Buenos Aires, começamos a ver que tipo de iniciativa poderíamos adotar para nos relacionarmos com o setor", explicou o diretor nacional de Turismo, Benjamín Liberoff.

Eles entraram em contato com a argentina Gnetwork360, que organiza conferências internacionais de marketing e turismo para o segmento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros), e com o governo do país vizinho, cuja capital está entre os primeiros destinos mundiais de turismo gay, para receber assessoramento.

Desde então foram realizados dois seminários e o país começou a se promover como destino "gay friendly" nas feiras de turismo do exterior. "É ainda um setor reduzido, mas como não temos uma avaliação exata não podemos dizer o quanto é pequeno", destacou Liberoff. "Desejamos que continue crescendo com um percentual maior de empresários vinculados ao setor". Para ele, "o setor busca no Uruguai o mesmo do que qualquer outro setor": descanso, praia e segurança, exemplificou.

Mas, de fato, um atrativo do turismo LGBT é que "os gastos desse setor às vezes são mais altos" que os do turista médio que visita o país, avaliou. Segundo López, geralmente o consumo do gay é maior que o do heterossexual. "É solteiro, não tem filhos, não paga colégio, associações. O consumo maior é principalmente de viagens e roupa, mais saídas", considerou, destacando que é um público que antes de tudo busca respeito nos lugares que visita.

Nesse sentido, a aprovação nos últimos cinco anos no país de leis que permitem a união civil de casais homossexuais e a adoção de crianças por parte de casais do mesmo sexo, além da possibilidade da troca de nome e sexo e a entrada de homossexuais às Forças Armadas, refletem um "avanço maior" em matéria de direitos das minorias, considerou López, que acredita que isso influi na chegada de turistas LGBT.

"Avançou muitíssimo. Antes o gay era muito reprimido, agora se sente mais confortável e isso te permite transmitir segurança ao estrangeiro", destacou, alertando, contudo que "ainda há muito trabalho a ser feito", especialmente em matéria de capacitação dos trabalhadores do setor. "Temos que trabalhar mais nos restaurantes, para que não aconteça - como aconteceu há pouco- a expulsão de dois homens que tinham se beijado. Em Punta del Este isso está superado, mas em Montevidéu ainda falta muito", disse.

Segundo López, os pontos mais visitados do país pelo setor são Colonia (180 km a oeste, em frente a Buenos Aires), Punta del Este e Montevidéu. "Na Argentina muitos setores (gay) friendly fazem pacotes para o Uruguai - Colonia ou Punta del Este- como parte do passeio a Buenos Aires. Mas também temos cada vez mais turismo brasileiro", informou.