quinta-feira, 25 de julho de 2013

No Itaú Cultural : Todos os Gêneros

Matéria M+ julho 2013

A partir de quinta-feira (25), o espaço Itaú Cultural, em São Paulo, recebe a mostra "Todos os Gêneros - Poéticas da Sexualidade", com entrada gratuita.
A programação traz espetáculos teatrais e performances de artistas de diferentes vertentes, além de filmes e debates. Todas as apresentações giram em torno de questões relacionadas ao gênero, desejo, sexo e preconceito.
Logo na estreia, na quinta-feira (25), acontecerá a exibição dos filmes "Vestido de Laerte" (foto ao lado) e "Dzi Croquettes". O primeiro, de Claudia Priscilla e Pedro Marques, mostra o cartunista Laerte percorrendo um longo caminho pela cidade de São Paulo em busca de um certificado.
Já o segundo trata-se do documentário de Tatiana Issa e Raphael Alvarez que resgata a trajetória dos atores/bailarinos que se tornaram símbolos da contracultura ao confrontar a ditadura no Brasil por meio de ironia e inteligência.
A noite, às 20h, será apresentado o espetáculo de dança "Travesqueens", com Ricardo Marinelli e Erivelto Viana. Em seguida é a vez de "Uma Flor de Dama", com Silvero Pereira, que mostra o trabalho em cena do ator, que pesquisou durante oito anos o universo das travestis no Ceará.
A mostra traz ainda o filme "Como Esquecer", de Malu de Martinho, que conta com Ana Paula Arósio no papel principal. A personagem da atriz luta para recontruir a vida depois do fim de uma relação amorosa com outra mulher.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Um século para ler um livro

Matéria do site livros e pessoas assinada por Ignácio de Loyola Brandão / julho 2013
Boa leitura :-)

“Uma relação homossexual não é apenas pecaminosa, mas acima de tudo ilegal… Um homossexual, que se dedica a um vício impuro, é um indivíduo repulsivo e aberrante… O homossexualismo é uma enfermidade, uma insanidade, uma impureza, e um caso de interesse médico-legal… A lei criminaliza a “flagrante indecência” entre homens… A sodomia (o termo antigo, derivado da Bíblia, que descrevia o sexo “anormal”) era um crime previsto na Lei de Delitos contra a pessoa…”
Estou reproduzindo os discursos do pastor Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos? Reproduzo os argumentos daquele deputado João Campos que pretendia a cura gay? Estou transcrevendo os pensamentos do Silas Malafaia (é isto mesmo? Ou errei?), mais um zero à esquerda perigoso na Câmara. Estou traduzindo fielmente o pensamento desses homófobos que vivem por aí?
Não. Por mais atuais que pareçam as palavras, a ideologia, a filosofia neste ano de 2013, tudo o que copiei acima, copiei da apresentação do romance O Retrato de Dorian Gray, obra-prima de Oscar Wilde, de 1891. São definições, afirmações, preconceitos, imprecações que vêm do século 19. Leram século 19? Pois é isso. Essas aberrações têm mais de cem anos, vêm de 1895, quando o escritor Oscar Wilde foi processado por homossexualismo e encerrado numa prisão por dois anos e meio.
Nesse meio tempo, o mundo mudou, a humanidade se transformou, o homem foi à Lua, os satélites desceram em Marte, um negro foi eleito presidente dos Estados Unidos, uma mulher foi eleita presidente do Brasil (mas não está adiantando nada), um papa renunciou, o Muro de Berlim caiu, o comunismo sumiu, as esquerdas entraram em colapso, o PT se encalacrou, o Lula fugiu quietinho, o Eike fracassou como empresário, a Rússia afundou, mulher nua todo mundo está cansado de ver em revista, pornografia circula pela tevê aberta, fechada, os traficantes mandam no mundo, o terrorismo está por aí aterrorizando, claro, o povo está nas ruas do Brasil, clamando contra a corrupção que vai do alto de Brasília aos porões do Brasil. E João Campos, Malafaia e Feliciano, evangélicos, bradam contra os gays e o homossexualismo, não perceberam que a Terra se move, continua a se mover… E pur si muove, disse Galileu!
Ah, que momento decifrado pela Editora Globo para lançar esse livro. Um volume chique, oscarwildiano. Acho que ele, refinado, dândi, elegante, culto, esnobe, gostaria de ver essa edição tão caprichada. Quanto a mim, confesso que venho respirando com alívio, nem tudo está perdido, as coisas mudam às vezes para melhor. Essa Biblioteca Azul da Editora Globo está me trazendo de volta a mim mesmo, uma coisa que eu necessitava para não perder o pé inteiramente.
Há uma nostalgia, admito, mas fazer o quê? Quando vi A Comédia Humana, quando abri a nova edição de As Relações Perigosas, de Choderlos de Laclos, quando coloquei as mãos no Retrato de Dorian Gray, me vi sentado na sala em penumbra da biblioteca Mário de Andrade de Araraquara, entre os meus 15 e 20 anos. Aquelas estantes saturadas de livros encadernados em vermelho, aquelas lâmpadas baças, aquela mesa imensa, pesada, fizeram parte de um período muito feliz, o de leituras constantes, ininterruptas, contínuas, vorazes. Por que a sala não era clara, iluminada intensamente? As lâmpadas opacas faziam parte de um ritual de recolhimento?
Aquela biblioteca era rica, hoje vejo. Erguia a mão e apanhava qualquer um dos volumes da Coleção Nobel, da Globo de Porto Alegre, da qual descende esta Globo, hoje em São Paulo. Volta a ser a mesma depois de um período de carência, digamos. Naquela sala li Charles Morgan e Somerset Maugham, li Aldous Huxley e Pearl Buck, e tantos outros. Li comédias gregas, ou Ibsen, era vasto o catálogo, que me tirava daquela cidadezinha estreita (para mim), provinciana, limitada. A Nobel me levava ao mundo, explodia limites, cancelava o tempo.
A biblioteca fechava às cinco da tarde, mas nós, aquele grupo reduzido de ensandecidos, podíamos ficar até as seis, com direito ao café do Santo, o contínuo careca e jovial. O prefeito passava e dizia: “Por que não levam os livros para casa?”. Levávamos, mas aqueles líamos em casa, à noite; esses eram os livros da tarde.
O Retrato de Dorian Gray tão falado, comentado, proibido, achincalhado, dolorido, sofrido. A edição que nos passou pelas mãos, naqueles anos 50, era pobre, expurgada, censurada, retalhada, nem entendemos direito. Agora, é uma edição integral, ‘inexpurgada’. Foi preciso passar mais de um século para que pudéssemos voltar a ler edições integrais, seja a de Oscar Wilde, seja a das Mil e Uma Noites. Pode haver de tudo neste mundo atual, confusão, terrorismo, violência, banalização do sexo e da morte, corrupção, mas há a recuperação de livros fundamentais. Daí esse aprendizado: temos de fazer, aconteça o que acontecer. Podemos ser censurados, proibidos, cortados em trechos, cenas, palavras, mas um dia seremos lidos integralmente. Há que ter essa confiança no futuro e na história.
Edição impecável, primorosa, com pequenas, digamos, iluminuras, como em livros antigos. E o restauro de todas as páginas retiradas do livro por causa dos Felicianos, Campos e Malafaias dinossáuricos e infelizes da Inglaterra do século 19. O livro está inteiro, como Wilde escreveu. Notas – e são centenas – nos conduzem por esse livro corajoso, aberto, libertário. Cedo ou tarde, a obra de arte vence a estupidez, a ignorância, o preconceito, a imbecilidade. Wilde está vivo.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Viagens GLBTs

Aqui dicas de viagens específicas para o publico gay.
fonte: Redação M+ julho 2013


Apesar de o número de homossexuais brasileiros ultrapassar 16 milhões de pessoas, os investimentos para turistas do segmento LGBTsó começou a ser explorado há pouco mais de cinco anos. Já nos Estados Unidos, esse nicho de mercado movimenta anualmente 50 bilhões de dólares.
Há até uma associação com sede na Flórida reunindo as empresas que atuam no setor. A International Gay and Lesbian Travel Association tem 1200 membros no mundo todo, e opera com gigantes do porte da American Airlines, British Airways, Carlson Wagonlit e Holiday Inn. O Brasil comparece com a rede de hotéis Othon e as agências The Clube e Ipacom, entre outros.
Opções de destinos GLS
São Paulo e Rio de Janeiro são consideradas as capitais gays da América do Sul por oferecerem, além de opções de lazer, um menor grau de preconceito contra a comunidade LGBT. A capital pernambucana Recife vem se destacando como um dos principais destinos de homossexuais no Brasil.
Eles se reúnem principalmente na Praia de Calhetas, Boa Viagem e até Porto de Galinhas, a 100 quilômetros da capital. Salvador, Fortaleza e Florianópolis também são encaradas como lugares gay-friendly, porque possuem uma comunidade gay atuante e uma vida noturna agitada. Paraty, Angra dos Reis e Búzios, no Rio de Janeiro, também já despontam na preferência do público homossexual.
Roteiros para homens e mulheres gays
Numa tendência mundial do turismo, as viagens LGBTs também estão subdivididas em roteiros só para homens, só para mulheres e mistos. Os rapazes preferem programas mais urbanos, com boas opções em vida noturna. Costumam viajar em grupo de amigos (ou com outros casais) e querem pacotes com serviço de guia e assistência no destino da viagem.
Já as mulheres apreciam programas ecológicos e gostam de ficar em hotéis mais rústicos, desde que aconchegantes. A Chapada Diamantina é uma das viagens mais procuradas pelo público feminino, enquanto Fortaleza atrai os turistas masculinos.
Hotéis para público gay
No Brasil, o único hotel do gênero é o recém-inaugurado Absolut Resort, na Praia da Lagoinha, a 50 minutos de Fortaleza, Ceará. Numa área de 8.700 metros há 32 bangalôs, piscina, sauna, academia de ginástica, restaurante, boate e área para shows.
No exterior, esses estabelecimentos são bem comuns - em Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, por exemplo, existem cerca de trinta hotéis direcionados ao mercado GLS. Há lugares que se especializaram ainda mais e aceitam só gays ou só lésbicas como hóspedes. É o caso do Hotel Timberfell Lodge, no Estado americano do Tennessee, voltado apenas para eles, e do Hotel Queen of Hearts, em Palm Springs, Califórnia, só para elas.
Destinos no Exterior
Entre os lugares que se tornaram moda entre os gays e lésbicas estão a ilha grega de Mykonos e a Ilha de Ibiza, na Espanha. Nos Estados Unidos, Palm Springs, na Califórnia, começou a atrair a comunidade GLS nos anos 60 e permanece em alta, seguida por cidades como Key West, Miami e Fort Lauderdale, na Flórida; Provincetown (ou Ptown, como também é chamada), em Massachusetts e San Francisco, na Califórnia.
No México, eles procuram Acapulco e Puerto Vallarta, que tem até trecho da praia predominantemente gay. Sydney, na Austrália, promove dois eventos concorridos, com milhares de visitantes: o Mardi Gras gay e os Gay Games.
Outros lugares disputados são Bangcoc, na Tailândia; Copenhague, na Dinamarca, e Porto Rico.
Nos do UGLS relacionamos os 10 destinos mais românticos para casais gays - e onde eles não enfrentam discriminação.
Nos Estados Unidos, Havaí, Vermont, Santa Fé e Provincetown. Na Europa: Paris e Praga. Também indicamos Montreal, no Canadá; St. Barts, no Caribe; Cidade do Cabo, na África do Sul, e Puerto Vallarta, no México.
Cruzeiros específicos para turistas LGBTs
Foram justamente os roteiros com cruzeiros que impulsionaram o segmento de turismo gay. A primeira viagem desse tipo foi feita em 1986, pela empresa Olivia Cruises (www.oliviatravel.com), que fretou um navio só para mulheres, num programa de quatro noites pelas Bahamas.
Passados vinte sete anos, a operadora já organizou mais de cento e cinquenta excursões pelo mundo e atendeu cerca de 80000 clientes. Nesses passeios, tudo é desenvolvido sob medida - shows, músicos, comediantes, DJs e funcionários são recrutados para atender o público feminino. Por isso, esses cruzeiros são um pouco mais caros do que os convencionais.
Cuidados em países hostis ao turista GLS
Em países muçulmanos mais radicais, a homossexualidade é considerada crime. Trocar carícias em público no Egito com uma pessoa do mesmo sexo pode dar cadeia. Já em países asiáticos como a China, é comum homens andarem de mãos dadas, sem qualquer conotação sexual. Por isso, convém pesquisar os hábitos culturais antes de viajar, usando a internet ou guias de turismo. Se os costumes são rígidos, evitará riscos quem adaptar o comportamento aos padrões locais. As grandes cidades sempre têm publicações gays (muitas delas distribuídas nos hotéis) que relacionam bares e restaurantes voltados à turma LGBT. Mas fazer contato com os homossexuais locais ainda é a melhor maneira de conseguir dicas.
Direitos e benefícios do turista gay
Pela política adotada pelas companhias aéreas American Airlines e U.S. Airways, que fazem vôos domésticos nos Estados Unidos, benefícios como passagens descontadas do plano de milhagem e acesso à sala vip nos aeroportos podem ser usados pelo parceiro do cliente titular, independentemente do sexo. Ele também tem direito a incorporar as milhas acumuladas, em caso de morte do titular. Na rede Marriott, os pacotes de lua-de-mel também podem ser usados por casais homossexuais.
Um dos hotéis do grupo, o Marriot Frenchman´s Reef and Morning Star Beach Resort , nas Ilhas Virgens, no Caribe, realiza celebrações de casamento - por enquanto, um ato simbólico sem valor judicial. Benefícios como esses são mais comuns nos Estados Unidos, onde a comunidade gay é muito maior do que nos outros países e, por estar organizada em associações, tem mais poder de negociação com as empresas.