terça-feira, 22 de outubro de 2013

Entre a Cruz e o Arco-Iris

Uma dica legal é o Livro Entre a Cruz e o Arco Íris
Autora : Marilia de Camargo César
Editora Gutenberg


Como alguém que é homossexual pode expressar sua fé cristã publicamente?
Seria esse um direito negado a quem não é heterossexual?
É a homoafetividade um pecado sem perdão, e que exclui da religião todos os que são assim? Existiria “cura”? Como as igrejas tratam os gays?
De questionamentos como esses nasceu este livro, uma reportagem contundente e abrangente sobre a complexa relação entre os cristãos, especialmente os evangélicos, e a homossexualidade. Em um tom jornalístico fluido e investigativo, a jornalista Marília de Camargo César traz à tona fatos e informações a partir de pesquisas sólidas em fontes históricas, nas quais procura a origem do pensamento de exclusão social e religiosa dos homossexuais pelos cristãos. Além disso, evidencia sentimentos e opiniões sobre o tema por meio de dezenas de entrevistas com religiosos, pastores, gays, ex-gays, ex-ex-gays, familiares, historiadores, teólogos, psicólogos, sociólogos e especialistas da área médica e das ciências humanas.

Leia o livro e deixe aqui o seu comentário 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Jeniffer Lopez

Matéria M+ set/13




Organização de defesa dos direitos LGBT, a Human Rights Campaign (HRC) anunciou nesta sexta-feira (20) que a cantora Jennifer Lopez será a homenageada de 2013 no prêmio Ally for Equality, que celebra anualmente apoiadores da comunidade gay. A premiação acontece no próximo dia 5 de outubro, em Washington.
Jennifer Lopez encarna o espírito de um aliado para a comunidade LGBT. Estamos entusiasmados em premiá-la como Ally for Equality em nosso jantar nacional em outubro ", declarou o presidente da HRC, Chad Griffin . "Nós reconhecemos Jennifer por seu talento, estilo, compaixão, filantropia e generosidade, mas acima de tudo por seu compromisso público com a igualdade para os LGBTs", acrescentou.
Em comunicado, a HRC ressaltou o empenho de Jennifer em causas que defendem o casamento igualitário e fim da homofobia e da violência nas escolas. O esforço dela em campanhas para levantar fundos para vítimas do HIV/AIDS também foi ressaltado.
Por fim, foi destacado a coragem de Jennifer ao atuar como produtora executiva da série “The Fosters”, exibida nos Estados Unidos pelo canal ABC Family. Multiétnica, a produção mostra uma família de filhos adotivos e biológicos sendo criado por duas mães.
"Mesmo tendo enfrentando a pressão de grupos anti-LGBT , Jennifer se posiciona como defensora da igualdade estridente", apontou Griffin. "Ao longo de sua carreira, Jennifer Lopez sempre foi sinónimo de equidade, justiça e igualdade. É isso que significa ser um aliado", concluiu o presidente da HRC.

Wagner Moura e Marco Feliciano

A notícia foi vinculada no M+ de set...se for verdade, é , no minimo, interessante !


Como na maioria de suas entrevistas, Wagner Moura foi super sincero em admitir que o filme “Elysium”, sua estreia no cinema internacional, não é a porta de entrada para mais trabalhos em Hollywood.
O ator, eternizado como o Capitão Nascimento de “Tropa de Elite”, afirmou que procura por trabalhos que lhe deem tesão, tanto faz se for no Brasil ou em Hollywood.
Entre os personagens que ainda gostaria de viver nos cinemas, Moura revelou que tem interesse em interpretar um pastor protestante.
"Tem muita gente legal no universo protestante, vários pastores que admiro, e outros que de fato são muito loucos. Veja o Marco Feliciano. Um imbecil que ganhou com esta história toda um cacife político gigante. É um cara que vai ser eleito ad-infinitum para o Congresso por falar um monte de imbecilidades", declarou em entrevista à Carta Capital.
O ator disse ainda que o conjunto intolerância moral e religiosa é o que o instiga a fazer um personagem desse tipo. “Até que ponto esses caras acreditam no que falam ou é só proselitismo? É só dinheiro, é só filha-da-putice, ou há de fato algo que eles acreditem ser uma experiência espiritual? Este é o personagem que eu sonho em fazer no momento”, afirmou.
Sobre ter aceito o convite para atuar em Elysium, o ator explicou os motivos.
“Passo mais tempo trabalhando do que em casa, então tem que ser algo que eu tenha tesão de fazer. Eu tenho orgulho de Elysium. A metáfora do apartheid em um filme de ficção científica que é Distrito 9 me deixou de boca aberta. Foi a senha para eu fazer Elysium”, declarou.
No novo trabalho, que estrou recentemente no Brasil, Wagner Moura divide as cenas com o personagem de Matt Damon e da também brasileira Alice Braga.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Teatro em Agosto: "Entre Nós "

Dois atores em cena fazem o papel de dois atores que tentam inventar na hora uma história de amor entre dois jovens gays. Até decidir o destino dos personagens, eles enfrentam uma série de situações conflitantes e engraçadas.
A peça, que estreou em janeiro de 2012, chega a São Paulo depois de apresentações em vários teatros na Bahia e uma pequena coleção de prêmios. Além do Prêmio Braskem de melhor espetáculo adulto, levou os prêmios de Melhor Ator, para Igor Epifânio, e de Melhor Texto para João Sanches, que assina ainda a direção, a iluminação e o figurino. Anderson Dy Souza completa o elenco.
O teatro que recebe o espetáculo em São Paulo é o Itália, no centro da cidade (Av. Ipiranga, 344 - Edifício Itália – subsolo do Metrô República. Tel. (11) 2122-2474). Serão dois fins de semana: de 15/8 a 18/8 (quinta a domingo) e de 23/8 a 25/08 (sexta a domingo). As apresentações são às 20h de quinta a sábado e às 18h no domingo.
O espetáculo faz parte do Circuito Baiano de Teatro, ação para movimentar a cena teatral baiana. Com patrocínio da Braskem, gigante da produção de resinas termoplásticas, e do Governo do Estado da Bahia através do Fazcultura, "Entre Nós" participa da comemoração de 20 anos do Prêmio Braskem de Teatro, que premia a cada ano as melhores produções do teatro baiano em oito categorias: Espetáculo Adulto, Espetáculo Infanto-Juvenil, Direção, Ator, Atriz, Texto, Revelação e Categoria Especial. A última edição aconteceu em abril passado.
Além do troféu, os vencedores da 20ª edição do Prêmio Braskem de Teatro nas categorias Espetáculo Adulto e Espetáculo Infanto-Juvenil (O Segredo da Arca de Trancoso) receberam um prêmio no valor bruto de R$ 30 mil, enquanto os demais receberam um prêmio no valor bruto de R$ 5 mil cada.
Ficha Técnica
"Entre Nós – Uma Comédia Sobre Diversidade"
Texto, direção e figurino: João Sanches
Direção Musical: Leonardo Bittencourt
Elenco: Igor Epifânio e Anderson Dy Souza
Trilha sonora ao vivo: Leonardo Bittencourt
Assistência de direção: Danilo Souto Pinho e Ricardo Fagundes
Cenário: Daniela Steele
Produção: Patrícia Rammos (Da Preta Produções)
Assistente de Produção: Andrea Machado
Patrocínio: Braskem e Governo da Bahia através do Fazcultura
Realização: ArtCultural Promoções

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Carrasco fala sobre Félix

O autor Walcyr Carrasco revelou em um texto na sua página do Facebook, que o vilão Félix seria uma mulher na sinopse original de "Amor À Vida".
"Quando criei o Félix, de Amor à vida, foi uma surpresa para mim mesmo. Minha ideia inicial era fazer uma vilã tradicional. Já havia falado com a atriz Flávia Alessandra, uma malvada excepcional em Alma Gêmea. Mas ela estava na novela da Glória Perez. Convidei Claudia Raia, que chegou a aceitar. Mas, depois, ela também foi para a novela da Glória. Fiquei pensando: que atriz seria essa vilã, capaz de jogar um bebê numa caçamba? Então, me deu um clique. Por que não um gay cruel? Eu mesmo me assustei com a ideia", explica Carrasco.
"Quando se escreve uma novela, que atinge milhões de pessoas, a pressão é inacreditável. Grupos exigem que se apresente um mundo perfeito. Se há um personagem negro, tem de ser bonzinho - ou sou acusado de racismo. Se é gay, também tem de ser do bem. Não admito o "politicamente correto". Pessoas são pessoas. Arrisquei. Criei o vilão gay, que vive num armário. Mas num armário ruído por cupins. Ele desmunheca, fala maldades, é invejoso. Houve quem dissesse que jamais seria aceito pelo público. Que os movimentos gays me apedrejariam. Apostei", continua o autor.
Em seguida, Carrasco disse que sofreu muito preconceito dos próprios gays quando se assumiu bissexual recentemente.
"Recentemente, declarei que sou bissexual. Fui apedrejado por homossexuais, segundo os quais deveria ter me declarado gay. Respondi: tive relacionamentos com várias mulheres na minha vida, a quem amei. Seria um desrespeito a elas dizer que tudo foi uma mentira. Simplesmente, porque não foi".
O autor discorre sobre o preconceito que existe dentro do próprio mundo gay. "Já conheci muitas 'bichas más', como Félix. Fazem piadas. É um contínuo bullying com quem está perto e é mais frágil. Mexem com quem engordou, está malvestido, tem muito dourado na casa ou é pobre e 'brega'. O meio gay é o mais homofóbico que existe. As mais 'pobrinhas' são chamadas de 'bichas pão com ovo'. As que praticam muita musculação, 'barbies'. O ataque entre si é muitas vezes mais cruel que o da sociedade".
O desabafo de Carrasco surge num momento crucial da trama, onde a sexualidade de Félix é descoberta por toda a família e tornou-se o epicentro da novela.
"Félix não é uma bandeira a favor ou contra os gays. Por fugir do estereótipo do bonzinho, talvez fale de liberdade mais que qualquer personagem planejado para dar uma boa imagem. Alguém que não é aceito, que se sente diferente desde criança, nem sempre se torna uma vítima. Mas pode se transformar em algoz. Cada ser humano tem o direito de escolher sua vida, desde que não prejudique o próximo. Não há uma regra para definir quem é melhor ou pior, como exigem tantos grupos religiosos. Embora eu sempre insista: a mensagem cristã máxima é de aceitação. Todo Félix tem uma saída: ser amado. Félix é meu filho. Como todo pai, torço por ele. Até os próximos capítulos!".

Matéria M+ agosto 2013 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

No Itaú Cultural : Todos os Gêneros

Matéria M+ julho 2013

A partir de quinta-feira (25), o espaço Itaú Cultural, em São Paulo, recebe a mostra "Todos os Gêneros - Poéticas da Sexualidade", com entrada gratuita.
A programação traz espetáculos teatrais e performances de artistas de diferentes vertentes, além de filmes e debates. Todas as apresentações giram em torno de questões relacionadas ao gênero, desejo, sexo e preconceito.
Logo na estreia, na quinta-feira (25), acontecerá a exibição dos filmes "Vestido de Laerte" (foto ao lado) e "Dzi Croquettes". O primeiro, de Claudia Priscilla e Pedro Marques, mostra o cartunista Laerte percorrendo um longo caminho pela cidade de São Paulo em busca de um certificado.
Já o segundo trata-se do documentário de Tatiana Issa e Raphael Alvarez que resgata a trajetória dos atores/bailarinos que se tornaram símbolos da contracultura ao confrontar a ditadura no Brasil por meio de ironia e inteligência.
A noite, às 20h, será apresentado o espetáculo de dança "Travesqueens", com Ricardo Marinelli e Erivelto Viana. Em seguida é a vez de "Uma Flor de Dama", com Silvero Pereira, que mostra o trabalho em cena do ator, que pesquisou durante oito anos o universo das travestis no Ceará.
A mostra traz ainda o filme "Como Esquecer", de Malu de Martinho, que conta com Ana Paula Arósio no papel principal. A personagem da atriz luta para recontruir a vida depois do fim de uma relação amorosa com outra mulher.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Um século para ler um livro

Matéria do site livros e pessoas assinada por Ignácio de Loyola Brandão / julho 2013
Boa leitura :-)

“Uma relação homossexual não é apenas pecaminosa, mas acima de tudo ilegal… Um homossexual, que se dedica a um vício impuro, é um indivíduo repulsivo e aberrante… O homossexualismo é uma enfermidade, uma insanidade, uma impureza, e um caso de interesse médico-legal… A lei criminaliza a “flagrante indecência” entre homens… A sodomia (o termo antigo, derivado da Bíblia, que descrevia o sexo “anormal”) era um crime previsto na Lei de Delitos contra a pessoa…”
Estou reproduzindo os discursos do pastor Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos? Reproduzo os argumentos daquele deputado João Campos que pretendia a cura gay? Estou transcrevendo os pensamentos do Silas Malafaia (é isto mesmo? Ou errei?), mais um zero à esquerda perigoso na Câmara. Estou traduzindo fielmente o pensamento desses homófobos que vivem por aí?
Não. Por mais atuais que pareçam as palavras, a ideologia, a filosofia neste ano de 2013, tudo o que copiei acima, copiei da apresentação do romance O Retrato de Dorian Gray, obra-prima de Oscar Wilde, de 1891. São definições, afirmações, preconceitos, imprecações que vêm do século 19. Leram século 19? Pois é isso. Essas aberrações têm mais de cem anos, vêm de 1895, quando o escritor Oscar Wilde foi processado por homossexualismo e encerrado numa prisão por dois anos e meio.
Nesse meio tempo, o mundo mudou, a humanidade se transformou, o homem foi à Lua, os satélites desceram em Marte, um negro foi eleito presidente dos Estados Unidos, uma mulher foi eleita presidente do Brasil (mas não está adiantando nada), um papa renunciou, o Muro de Berlim caiu, o comunismo sumiu, as esquerdas entraram em colapso, o PT se encalacrou, o Lula fugiu quietinho, o Eike fracassou como empresário, a Rússia afundou, mulher nua todo mundo está cansado de ver em revista, pornografia circula pela tevê aberta, fechada, os traficantes mandam no mundo, o terrorismo está por aí aterrorizando, claro, o povo está nas ruas do Brasil, clamando contra a corrupção que vai do alto de Brasília aos porões do Brasil. E João Campos, Malafaia e Feliciano, evangélicos, bradam contra os gays e o homossexualismo, não perceberam que a Terra se move, continua a se mover… E pur si muove, disse Galileu!
Ah, que momento decifrado pela Editora Globo para lançar esse livro. Um volume chique, oscarwildiano. Acho que ele, refinado, dândi, elegante, culto, esnobe, gostaria de ver essa edição tão caprichada. Quanto a mim, confesso que venho respirando com alívio, nem tudo está perdido, as coisas mudam às vezes para melhor. Essa Biblioteca Azul da Editora Globo está me trazendo de volta a mim mesmo, uma coisa que eu necessitava para não perder o pé inteiramente.
Há uma nostalgia, admito, mas fazer o quê? Quando vi A Comédia Humana, quando abri a nova edição de As Relações Perigosas, de Choderlos de Laclos, quando coloquei as mãos no Retrato de Dorian Gray, me vi sentado na sala em penumbra da biblioteca Mário de Andrade de Araraquara, entre os meus 15 e 20 anos. Aquelas estantes saturadas de livros encadernados em vermelho, aquelas lâmpadas baças, aquela mesa imensa, pesada, fizeram parte de um período muito feliz, o de leituras constantes, ininterruptas, contínuas, vorazes. Por que a sala não era clara, iluminada intensamente? As lâmpadas opacas faziam parte de um ritual de recolhimento?
Aquela biblioteca era rica, hoje vejo. Erguia a mão e apanhava qualquer um dos volumes da Coleção Nobel, da Globo de Porto Alegre, da qual descende esta Globo, hoje em São Paulo. Volta a ser a mesma depois de um período de carência, digamos. Naquela sala li Charles Morgan e Somerset Maugham, li Aldous Huxley e Pearl Buck, e tantos outros. Li comédias gregas, ou Ibsen, era vasto o catálogo, que me tirava daquela cidadezinha estreita (para mim), provinciana, limitada. A Nobel me levava ao mundo, explodia limites, cancelava o tempo.
A biblioteca fechava às cinco da tarde, mas nós, aquele grupo reduzido de ensandecidos, podíamos ficar até as seis, com direito ao café do Santo, o contínuo careca e jovial. O prefeito passava e dizia: “Por que não levam os livros para casa?”. Levávamos, mas aqueles líamos em casa, à noite; esses eram os livros da tarde.
O Retrato de Dorian Gray tão falado, comentado, proibido, achincalhado, dolorido, sofrido. A edição que nos passou pelas mãos, naqueles anos 50, era pobre, expurgada, censurada, retalhada, nem entendemos direito. Agora, é uma edição integral, ‘inexpurgada’. Foi preciso passar mais de um século para que pudéssemos voltar a ler edições integrais, seja a de Oscar Wilde, seja a das Mil e Uma Noites. Pode haver de tudo neste mundo atual, confusão, terrorismo, violência, banalização do sexo e da morte, corrupção, mas há a recuperação de livros fundamentais. Daí esse aprendizado: temos de fazer, aconteça o que acontecer. Podemos ser censurados, proibidos, cortados em trechos, cenas, palavras, mas um dia seremos lidos integralmente. Há que ter essa confiança no futuro e na história.
Edição impecável, primorosa, com pequenas, digamos, iluminuras, como em livros antigos. E o restauro de todas as páginas retiradas do livro por causa dos Felicianos, Campos e Malafaias dinossáuricos e infelizes da Inglaterra do século 19. O livro está inteiro, como Wilde escreveu. Notas – e são centenas – nos conduzem por esse livro corajoso, aberto, libertário. Cedo ou tarde, a obra de arte vence a estupidez, a ignorância, o preconceito, a imbecilidade. Wilde está vivo.